Religião Católica

Doces religiosos: confira a lista dos mais famosos

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Esse texto vai te deixar com água na boca. Afinal, o assunto é doces religiosos.

Culinária e religião

Historicamente, os doces religiosos têm duas ligações com a fé. Uma delas é a relação da guloseima com a data em homenagem a um santo. A outra é a origem, pois algumas surgiram dentro de mosteiros e conventos.

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Os chamados doces religiosos existem em vários cantos do mundo. Eles possuem vários formatos, cores, tamanhos, mas a base de ingredientes é praticamente a mesma: água, farinha, ovo e açúcar.

Confira alguns doces religiosos que, de tão gostosos, cabe o uso da expressão “comer rezando”. Saiba as suas origens e os ingredientes para produzir essas gostosuras.

Origem em conventos

Portugal, certamente, é um dos países com mais doces religiosos do planeta. Tanto que há um nome para definir essa qualidade: doçaria conventual portuguesa.

A maior parte desses doces foram criados por freiras que viviam em conventos de Portugal. Eles ganharam notoriedade a partir do século XV, com a divulgação do açúcar.

Mas o destaque dos doces portugueses é o ovo. As claras eram usadas para purificar a produção do vinho branco e engomar roupas. Já as gemas eram jogadas no lixo, mas com a chegada do açúcar começaram a ser aproveitadas na cozinha.

Acompanhe logo abaixo alguns desses doces religiosos. Veja sem restrição, pois ler não engorda.

Doces religiosos

Colomba Pascal

Páscoa é sinônimo de colomba pascal. Esse pão doce tem tanta ligação com a religiosidade que até o seu formato lembra uma pomba – o símbolo universal da paz.

Colomba pascal, doces religiosos

A colomba pascal teria sido criada no século VI em Pavia, cidade italiana distante 50 quilômetros de Milão. O rei Lombardo Alboíno invadiu o território com o objetivo de queimá-lo, mas mudou de ideia ao ganhar de um padeiro um pão doce no formato de uma pomba.

A raiva do monarca diminuiu ao comer aquela massa leve e úmida, recheada de frutas cristalizadas e com aroma de laranja. O fato teria ocorrido no ano de 572 e, desde então, a colomba pascal foi difundida e consumida em vários países do mundo.

A consistência e o sabor desse pão doce lembram o panetone, mas ele se diferencia por conter mais manteiga e ovos e pelo uso mais acentuado de cascas de laranja cristalizadas. Elas substituem as uvas passas do pão natalino.

Veja sobre a tudo sobre a Páscoa.

Bolo de Reis

O bolo é tradicionalmente consumido no Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro. Essa data marca a adoração do menino Jesus por Gaspar, Belchior e Baltazar, conhecidos como os três Reis Magos.

Os brasileiros herdaram a receita do bolo de Reis dos portugueses. O povo de Portugal, por sua vez, se inspirou na galette des rois francesa, eternizada por Jean Baptiste Greuze na pintura Le Gâteau des Rois, de 1774, hoje exposta no museu Fabre, em Montpellier.

O bolo de Reis tem vários símbolos. A parte exterior simboliza o ouro. As frutas secas e as cristalizadas representam a mirra. Já o incenso está representado no aroma do bolo.

Em Portugal, o primeiro local onde se vendeu o bolo de Reis foi a Confeitaria Nacional, em Lisboa, na segunda metade do século XIX. No Brasil, a receita substitui a fava por um brinde. Essa tradição mantém viva a simbologia do Natal de fé, prosperidade e esperança.

Leia sobre folia de Reis.

Ovo de Páscoa

Os ovos de chocolate são os presentes mais tradicionais durante a época da Páscoa. As pessoas dão esses doces, de diversos tamanhos e com embalagens coloridas, a familiares e amigos.

Atualmente, o ovo de chocolate durante a Páscoa simboliza o renascimento de Jesus Cristo. Mas, historicamente, ovos coloridos já eram usados para presentear os amigos entre os povos persa e egípcio. Vale ressaltar que esses ovos não eram comestíveis.
ovo de pascoa

A substituição dos ovos naturais pintados pelos de chocolate, na época da Páscoa, ocorreu na França no século XVIII. Hoje em dia, os ovos de chocolate são vendidos com brinquedos em seu interior.

O povo de páscoa também é um dos símbolos da Páscoa.

Viúvas

Parecem pastéis de nata, mas são as viúvas. Esses doces portugueses recheados por um creme feito com gemas de ovo, açúcar e noz foram criados no antigo Convento dos Remédios, em Braga, região norte do país.

As viúvas pararam de ser feitas em 1908, após o fechamento do convento. A receita ficou esquecida, mas pesquisas feitas em antigos livros de receitas pertencentes a famílias de Braga trouxeram de volta esse tradicional doce português.

O passo a passo para produzir as viúvas também foi encontrado em livros onde as freiras do convento registravam diariamente os gastos da cozinha. Esses documentos históricos estão guardados no Arquivo Distrital de Braga.

Pudim Abade de Priscos

Manuel Joaquim Machado Rebelo, conhecido como abade de Priscos, se destacou tanto pela sua entrega ao catolicismo quanto pelo seu talento culinário. É dele a receita do pudim Abade de Priscos, apreciado em Portugal, especialmente em Braga, na região norte do país.

Nascido em 1834, Rebelo era tão bom na cozinha que, frequentemente, fazia banquetes com receitas autorais para o então rei Dom Luis I. Esse doce chegou a ser finalista em um concurso que elegeu as 7 Maravilhas da Cozinha Portuguesa.

A receita do pudim leva 16 gemas, 400 gramas de açúcar, uma raspa de limão, um pau de canela e bacon ou toucinho fresco. Sim! Pode acreditar.

Crema catalana

A crema catalana está na lista das sobremesas mais tradicionais da culinária catalã. O doce também é conhecido como crema queimada, crema ou crema de San José, pois tradicionalmente é um alimento consumido no dia de São José – 19 de março, data em que se festeja o Dia dos Pais na Espanha.

A base da crema cataluna conta com leite, gemas, açúcar e amido. A cobertura crocante de caramelo dá um toque especial para o doce, pois é feita com açúcar cristal queimado com maçarico culinário.

Crema catalana, doces religiosos

Essa deliciosa guloseima é muito antiga. O doce já era citado em receituários medievais, como o Libro de Siendo Soví (1324) ou o Llibre del Coch (1520).

O doce catalão lembra o também famoso crème brûlée. O que os difere são a rama de canela e a raspa de limão presentes somente na sobremesa espanhola, ao contrário da “concorrente”, cujo condimento único é a baunilha.

Fidalguinho

O fidalguinho integra o receituário do convento de Nossa Senhora dos Remédios, situado em Braga, no norte de Portugal. O doce, apesar do embrião religioso, fazia uma sátira aos nobres portugueses.

O formato do doce lembra duas pernas cruzadas. A ideia foi uma alusão aos fidalgos portugueses, conhecidos por herdar heranças familiares e não precisar trabalhar para conseguir o que queriam.

O diferencial do fidalguinho é um ingrediente: a canela. Essa especiaria dá um gosto todo especial ao doce, que é finalizado com açúcar polvilhado.

Esses pequenos biscoitos doces são muito crocantes e viciantes. Tradicionalmente, eles têm presença nas mesas da Páscoa bracarense e desaparecem num ápice por se tornarem muito, mas muito viciantes.

Buñuelos

Basta chegar a Festa de Todos os Santos para as prateleiras das padarias espanholas ficarem cheias dos chamados buñuelos. Essa guloseima tem o formato de uma rosquinha, à base de farinha de trigo, mel e água, frita em óleo bem quente.

Essa receita é conhecida na Espanha desde o século XVI. Tudo indica que a receita foi introduzida em território espanhol pelos árabes, que escolheram a cidade de Granada para viver.
Os buñuelos, depois de fritos, ganham o último retoque. Eles são banhados por mel fervente, o qual faz realçar ainda mais o sabor.

Atualmente fritos pode ser feita de diferentes maneiras e com diferentes variantes, é aromatizado com limão, canela, baunilha … eles são preenchidos com creme, frutas ou simplesmente infla o vento. Esta é a receita dos buñuelos de viento, que vamos fazer esta tarde.

A rosquinha caramelizada com mel é tradicionalmente consumida na Festa de Todos os Santos, no dia 1º de novembro. No ambiente da Igreja Católica, a data serve para relembrar os mártires.
Historicamente, os Cristãos foram perseguidos e sofreram mortes cruéis nas mãos dos pagãos. Mesmo assim, demonstraram um grande amor a Deus.

Torta de Santiago

A torta é um cartão-postal de Santiago de Compostela, na Espanha. É feita à base de massa, amêndoas moídas, ovos, açúcar, canela e casca de limão. Para deixar o doce mais bonito, a cobertura leva a marca da cruz de São James (cruz de Santiago).

Desde a Idade Média, a cidade oferece a Torta de Santiago aos visitantes. Os peregrinos vão embora levando-a como souvenir, especialmente no dia 25 de julho, data da festa do santo.

A origem da receita da torta é desconhecida. Pode ter sido obra de um religioso ou de um peregrino que percorreu o Caminho de Santiago – cuja rota atravessa o norte da Espanha a partir da fronteira com a França.

Saiba tudo sobre o caminho de Santiago de Compostela.

Moletinhos

Os moletinhos são mais consumidos em três ocasiões: na festa de São Vicente em 22 de janeiro, na comemoração de São José de São Lázaro em 19 de março e para celebrar o Dia dos Pais. Mas calma! Nada impede que você os saboreie em qualquer época ou ocasião.

Durante as romarias relacionadas aos dois santos, é muito comum encontrar vendedores oferecendo os moletinhos aos fiéis nas ruas de Portugal. Eles são deliciosos e semelhantes às almofadas – espécie de pão doce pincelado com ovo e polvilhado com açúcar.

Você pode encontrar facilmente os moletinhos nas docerias e padarias de Braga, em Portugal. A origem dessa iguaria remete ao fim do século XIX e, para fazê-la, é preciso 500 gramas de farinha, 20 gramas de fermento de padeiro, 20 colheres de nata, 100 gramas de açúcar, dois ovos, 90 gramas de leite, meia colher de café com sal e a polpa de meia vagem de baunilha.

Gostou de conhecer alguns famosos doces religiosos? Já teve a oportunidade de experimentar alguns desses?

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