Religião Católica

Livro do Apocalipse: entenda qual sua mensagem para a humanidade

Livro do ApocalipseLivro do Apocalipse

Curioso e cheio de simbolismos, o Livro do Apocalipse talvez seja um dos textos que mais causa fascínio nas pessoas.

A revelação do fim do mundo e a existência de um juízo final, bem como a criação de um novo céu e uma nova Terra é contada pelo apóstolo João a partir de uma série de analogias que exigem interpretação e sabedoria do leitor. Para ajudar nesta leitura, separamos alguns pontos importantes sobre o livro:

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Qual o significado do Livro do Apocalipse

Em grego antigo, Apocalipse é a palavra designada para simbolizar revelações. Assim, o significado do Livro de Apocalipse seria: “o livro da revelação”, tendo em vista que o conteúdo narrado em suas páginas não se tratam de fatos que já haviam acontecido, mas de previsões feitas pelo apóstolo João, o amado, durante o período em que esteve preso na ilha de Patmos, por volta do ano 70 d.C.

A Bíblia conta que João, que era um prisioneiro político, recebeu a visita de um anjo e que este o concedeu a visão daquilo que será o fim do mundo. O apóstolo então transcreveu a visão e enviou por meio de sete cartas para as igrejas de Éfeso, Filadélfia, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes e Laodiceia.

Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia.

Divergências quanto ao autor

Alguns teólogos divergem de que o João que escreveu este livro seja mesmo o Apóstolo João, aquele que conviveu e foi ensinado por Cristo. Esta desconfiança leva em conta a maneira como as cartas foram escritas, que são muito diferentes das outras três epístolas escritas pelo apóstolo. Outra vertente encabeçada pelo teólogo Clarice Larkin, porém, interpreta que a diferença no modo de escrever em hipótese alguma descredita o autor ou suas previsões, mas evidência que o conteúdo do livro foi transcrito a partir da inspiração do espírito santo, sendo até mesmo o próprio Jesus Cristo seu autor.

Localização e relações com outros livros

O Livro de Apocalipse contém 22 capítulos e está disposto ao final da Bíblia. Esta ordem toma como base a importância narrativa decretada pelo Concilio de Niceia, em 325 d.C, que reuniu alguns dos principais Bispos da Igreja da época para definir qual ordem de leitura e quais livros deveriam estar na bíblia. Assim como o Gênesis abre os estudos e explica a criação do mundo, o livro de Apocalipse encerra esta narrativa ao completar o plano de salvação disposto ao longo de toda a cronologia cristã.

Muitos teólogos ainda acreditam que o livro de Apocalipse tem ligação com as previsões feitas pelo profeta Daniel no capítulo 12 de seu livro, o qual também prevê fatos que acontecerão no fim dos tempos.

Dispensacionalismo e a Segunda Vinda de Cristo

Juntas, as previsões feitas por Daniel e João apresentam o que acontecerá com a humanidade durante as duas últimas dispensações. As dispensações ou dispensacionalismos são um sistema de divisão histórico e teológico que separa a história do mundo em sete eras, seriam elas:

Inocência ou Edênica (Gênesis 1-3)

Período em que a humanidade foi criada e, ainda sem pecado, vivia em harmonia com Deus.

 

Consciência ou Antediluviano (Gênesis 3-8)

Queda do homem perante o pecado e depravação até o dilúvio. Encerra com a nova aliança de Deus.

Governo Humano (Gênesis 9-11)

Tem início com o dilúvio e vai até a saída do povo hebreu do Egito. Marca um período de desenvolvimento da sociedade do homem.

Patriarcal ou Promessa: (Gênesis 12 a Êxodo 19)

Marca a formação do reino de Israel e a época em que Deus se comunicava com a humanidade por meio dos patriarcas e profetas.

Mosaico (Êxodo 19 a Atos 11)

Período marcado pela lei das Tábuas de Moisés, em que a sociedade judaica é regida a partir dos 613 mandamentos.

Graça e Igreja (Atos 2 a Apocalipse 20)

Vai do Pentecostes até os dias atuais, marca a fundação da igreja e o evangelho da Graça.

Reino Milenial (Apocalipse 20: 4-6)

Marcado pela segunda vinda de Jesus Cristo que reinará por mil anos sobre toda a Terra. Será um período de paz em que todas as profecias se cumprirão. É considerada a última dispensação da Terra.

Eternidade (Apocalipse 20-22)

Terá início com a libertação de Satanás, que reunirá um exército para marchar contra o povo de Deus e falhará. Deus então dará início ao julgamento final e tomará os santos e justos para si. Serão criados um novo céu e uma nova Terra, onde a criação será restaurada e os justos viverão por toda a eternidade.

Simbolismo do Livro do Apocalipse e a ordem dos acontecimentos

A linguagem utilizada por João para descrever suas visões está repleta de analogias, em alguns momentos ele cita criaturas míticas que, se forem lidas fora de contexto, darão até uma interpretação fantasiosa para o que é falado. Os teólogos, no entanto, entendem que são figuras de linguagem para descrever aquilo que o apóstolo não conhece.

Deste modo, expressões como os 4 Cavaleiros do Apocalipse, a Besta, sete Taças e sete Selos podem expressar acontecimentos marcantes para a nossa sociedade ou até mesmo fenômenos da natureza.

Os Cavaleiros do Apocalipse

Os Cavaleiros, por exemplo, representados como peste, a guerra, a fome e morte, podem não se tratar de seres corpóreos, mas de problemas cada vez mais frequentes e agravantes na humanidade. O mesmo é referido às sete taças, em que João descreve fenômenos que destruiriam parte do planeta, algo que já vemos com o aquecimento global.

Assim, a partir do entendimento concedido pelo divino, compreendemos que o Livro de Apocalipse seria o mais contemporâneo dos livros da bíblia, pois relata problemas e aflições que atingem o mundo nos dias atuais. Deste modo, a defesa de teólogos como Larkin é que não devemos nos prender aos simbolismos, mas entender que a mensagem é simples e representa o cumprimento da promessa de Deus.

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