Religião Católica

Padre Cícero: o querido santo do Nordeste

Padre CíceroPadre Cícero

Para o povo nordestino, padre Cícero sempre foi santo. Tanto que, carinhosamente, era chamado pelos fiéis como o padrinho dos pobres.

Padre Cícero, além de membro da Igreja Católica, atuou na política e exerceu a função de prefeito de Juazeiro no Norte, no Ceará. Ao mesmo tempo que os devotos de “Padim Ciço” atribuem a ele curas milagrosas e poderes sobrenaturais, esse personagem brasileiro também é descrito como semeador de fanatismo e aproveitador da ingenuidade popular.

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Confira a história de Padre Cícero e saiba como ele se tornou um santo popular entre os brasileiros. Entenda também o motivo de a Igreja ter rejeitado o religioso.

História de Padre Cícero

Padre Cícero foi batizado como Cícero Romão Batista. Nasceu em 1844 no Crato e desde pequeno demonstrava vocação para o sacerdócio.

Aos 12 anos, Cícero fez votos de castidade influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Assis. Ficou órfão de pai aos 18 anos de idade, estudou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, e foi ordenado padre em 1870.

Na função de sacerdote, retornou ao Crato e ensinou latim em uma escola local. Em 1871, foi convidado para celebrar a Missa do Galo no pequeno vilarejo de Juazeiro do Norte. No ano seguinte, voltou para a vila para assumir o cargo de vigário.

Em Juazeiro do Norte, reformou a pequena capela erguida pelo antecessor em homenagem à Nossa Senhora das Amparo. Posteriormente, o local viraria de Nossa Senhora das Dores.

Na paróquia, Padre Cícero desenvolveu um trabalho junto à comunidade. Ele ganhou o respeito e a admiração dos moradores, além de cuidar pessoalmente de alguns problemas da cidade.

Rejeição da Igreja

A Igreja Católica contestou veementemente um ato envolvendo Padre Cícero em Juazeiro do Norte. O caso ocorreu em 1º de março de 1889 durante um período de seca no sertão cearense. Enquanto celebrava a Eucaristia na capela de Nossa Senhora das Dores, a hóstia verteu sangue durante a confissão da beata Maria de Araújo.

Para o Padre Cícero, o fato foi um milagre eucarístico. Segundo a Igreja, os pretensos milagres e outros fatos que se dizem de Maria de Maria são falsos e manifestamente supersticiosos e devem ser reprovados e condenados. Tanto que os panos manchados de sangue, guardados como relíquias, foram recolhidos e queimados por ordem da Igreja.

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O caso do suposto sangue na hóstia provocou uma comoção entre os fiéis. Tanto que as romarias começaram a ser mais frequentes em Juazeiro.

A Igreja respondeu com a excomunhão de Padre Cícero. Foi aí que ele partiu para a política e acabou eleito prefeito de Juazeiro.

Padre Cícero morreu em 1934 na cidade de Juazeiro do Norte. Em 2001, uma comissão foi criada para estudar os arquivos relacionados aos fatos ocorridos na cidade cearense.

Cinco anos depois, o resultado da análise foi entregue ao Santo Ofício. O documento continha uma petição assinada por 254 bispos para a reabilitação de Padre Cícero. Somente em 2015 o secretário de Estado do Vaticano assinou a carta de “reconciliação histórica da Igreja com o Padre Cícero”.

Santo popular

Padre Cícero teve uma vida “comum”, sem glamour, até os 45 anos de idade. Ele era um sacerdote de aldeia no interior cearense e ministrava missas em uma capelinha do então povoado do Juazeiro do Norte, a aproximadamente 600 quilômetros de Fortaleza.

O fato que transformou a vida de Padre Cícero foi justamente o sangue na hóstia consagrada durante uma missa. O caso chamou a atenção da imprensa, da Igreja e dos sertanejos.

Os jornais abriram manchetes para noticiar o fenômeno e os sertanejos caíram de joelhos diante do proclamado milagre. A Igreja, porém, acusou Cícero e a beata de fraude.

A morte de Padre Cícero

Padre Cícero morreu aos 90 anos, em consequência de problemas renais. O seu poder espiritual junto aos fiéis continuou mesmo após o seu falecimento.

Em 1º de novembro de 1969 foi inaugurada em Juazeiro do Norte uma estátua de 25 metros de Padre Cícero. Quatro anos depois, ele foi declarado “santo” pela Igreja Católica Apostólica Brasileira (Icab), uma dissidência da Igreja Católica Romana.

Músicas sobre Padre Cícero

Padre Cícero é tão popular que várias canções foram compostas em homenagem ao líder religioso. Confira algumas delas:

Padre Cícero

Compositores: Tim Maia e Cassiano
Intérprete: Tim Maia

No sertão do Crato,
Nasce um homem pobre
Porém muito jovem,
porém muito jovem
Todo mundo vai saber,
Quem ele é

Este homem estuda,
Mesmo sem ajuda
Se formou primeiro
E no Juazeiro
Todo mundo respeitou,
O padre Cicero, Padre Cicero,
Padre Cicero, padre Cicero

Daí então tudo mudou,
De reverendo a lutador
Desperta ódio e amor,
passaram anos pra saber
Se era bom ou mal,
Mas ninguém
Até hoje afirmou

Era um triste dia,
Pois alguém jazia
Cego, surdo e pobre,
Cego, surdo e pobre
Desse jeito faleceu, o padre Cicero
Padre Cicero, padre Cicero

Profecia de Padre Cícero
Intérprete: Marinês

No ano 15 lá em juazeiro
Toda a noite nas missões
Meu padrinho dizia aos romeiros
Tempo bom não tem mais não

E depois da confissão
O padre sempre dizia
Que na era de sessenta
Muitas coisas a gente via
Muito pasto e pouco rastro
Quem for vivo tem que ver
Tem também muitos romeiros
Tão satisfeitos dizer
Que só foi ao juazeiro
O meu padrinho conhecer

Um romeiro perguntou
Padrinho eu quero saber
Para o mundo se acabar
Qual é o sinal que a gente vê
Meu padrinho ciço disse
Meu filho preste atenção
Quando o filho contra pai
Nação contra nação
É sinal que o fim do mundo
Ta bem pertinho meu irmão

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